O mundo é dos espertos

Sim. Isso mesmo. Tu leu certo. O mundo foi, é e sempre será dos espertos.

Pode baixar essa sobrancelha; dizimar esse xingamento à minha pessoa; de xingar algum ente querido meu.

Coloca nessa tua cabeça de uma vez por todas: O. Mundo. É. Dos. Es-per-tos.

Primeiro, porque não há nada de errado em ser esperto. A nossa definição pra essa palavrinha é que está. A gente sempre adjetiva o “esperto” dessa forma negativa: aquele que fura a fila; aquele que não paga imposto; que furou o olho do amigo; que tirou algum tipo de vantagem sobre outra pessoa e saiu rindo da desgraça alheia.

Ledo engano. Uma busca rápida na internet pelos termos “esperto define” vai nos trazer a explicação de que esperta, mesma, é aquela pessoa atenta, vigilante, observadora.

E é isso mesmo. Se formos parar para pensar, poucos são os (que se acham) “espertos” que acabaram não tomando uma pancada da vida depois. Tu pode crer ou não em energias ou que tudo que vai volta. É teu direito. Mas uma coisa é certa: o mundo dá voltas e o verdadeiro esperto é quem vai se sair bem. Porque esteve atento a tudo e a todos que passaram por sua vida e soube tirar as melhores lições. Inclusive em quem confiar.

E então? Quem é o esperto da história?

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O interesse no desinteresse

– Não responde tão rápido assim, vai parecer desesperado.

– Fica alguns dias sem falar com ele, assim deixa ele na vontade.

– Quanto menos interesse tu demonstrar, mais ela vai te querer.

Levanta a mão quem nunca ouviu uma dessas frases acima, ou alguma de suas variações. Pode até olhar para o lado, sem vergonha nenhuma. Todo mundo vai levantar a mão. Porque todos nós já fizemos isso alguma vez na vida.

Para muitas pessoas, isso faz parte do jogo da sedução. Aquela coisa de mostrar quem é que está no controle. Uma inflada básica no ego, tanto da pessoa interessada quanto da pessoa desinteressada. Já faz um tempo que as coisas são assim e parece ser a regra básica para um relacionamento duradouro.

Mas, afinal, por que demonstrar que está interessado no outro é tão ruim assim? Desde quando isso é sinal de fraqueza?

Parece que transportamos para a realidade os roteiros de filmes românticos hollywoodianos, em que o resumo é mais ou menos assim.

  • Rapaz é apaixonado pela bonitona do colégio (normalmente a popular)
  • Ele faz de tudo pra ficar com ela
  • Bonitona do colégio esnoba o rapaz apaixonado
  • Amiga do rapaz apaixonado começa a dar umas dicas para o cara
  • Rapaz apaixonado continua apaixonado mas não demonstra mais interesse
  • Bonitona do colégio quer entender o porquê disso tudo
  • Bonitona do colégio fica com ciúmes do rapaz apaixonado que não demonstra mais estar apaixonado
  • Bonitona do colégio percebe que, agora, é ela quem está apaixonada pelo rapaz
  • E assim vai até chegar no desfecho (que pode ser feliz ou infeliz para algum personagem)

Não é idiota isso tudo?

Às vezes passamos minutos, horas, dias sem falar com a pessoa só para “não demonstrar que estamos a fim”, como se fosse isso um sinal de desespero de quem está interessado. Nada disso.

O tal do desespero só acontece quando o contato se transforma em uma pressão, do tipo “quando vamos sair?”, “por que tu não me responde?”, “hey, fala comigo”. Um bom dia, boa tarde, boa noite diários, um tudo bem, como vai, é saudável. É demonstração de carinho.

Por causa desse comportamento nosso, de achar que é interessante não demonstrar interesse, que vemos muitas pessoas colocarem em suas redes sociais aquelas belas poesias que cobram do outro aquilo que elas não fazem: demonstrar a porra do interesse que se tem nesse alguém.

O interessante não está no desinteresse. Está na reciprocidade do sentimento. O resto é nada mais que inflação de ego.

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Faça o que der na telha

Grite. Esbraveje. Berre. Estufe o peito, puxe o fôlego lá do dedão do pé se for necessário, e solte aquilo que tá entalado na garganta.

Chore. Esperneie. Ou apenas deixe aquela lágrima escorrer. Pode ser em local público ou num cantinho qualquer da casa ou do escritório. Na frente do espelho ou sentado no vaso do banheiro. Não guarde tudo que incomoda dentro de ti.

Xingue. Ah, xingue. Mas xingue, mesmo. Pessoalmente, no twitter, com textão no Facebook. Ligue o foda-se da vida e diga ao mundo o que ele precisa ouvir.

Porque, como dizia Wander Wildner, ninguém consegue estar alegre o tempo inteiro. E ninguém tem o direito de dizer o que você deve sentir e como deve expressar esse sentimento.

Só você é quem sabe o que se passa aí dentro.

Mas, prepare-se. As leis da física também valem pra vida real. Toda ação gera uma reação e do outro lado a resposta pode vir de um jeito que você não queria. E daí não vai adiantar criticar.

Assim como falou o que quis, vai ter que ouvir o que não quis (ditado popular também tem seu valor). Afinal, você também não tem o direito de dizer pra outra pessoa como ela tem que reagir.

Ninguém é melhor que ninguém. Nem mesmo você.

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Precisamos falar sobre suicídio

O suicídio sempre choca. Não importa a idade, a cor, a classe social. Pode ser uma pessoa próxima, amigo de alguém que conhecemos, ou que sequer sabíamos da existência.

O suicídio sempre choca. Pouco importa a motivação. Atentar contra a própria vida é forte. É o último recurso para muitas pessoas conseguirem sair da condição de desespero em que se encontram.

Mas, tem algo que choca muito mais quando o assunto é suicídio: o julgamento. Gente que nem conhece a vítima sai por aí, principalmente no “porto seguro” das redes sociais da vida, a destilar suas opiniões sem se preocupar com as consequências. Como se tudo fosse assim, preto no branco.

Covardia? Um ato de coragem? Quem somos nós para dizer como o outro deve agir?

Pode ser teu melhor amigo, teu grande amor, teu filho amado. Tu nunca vai saber realmente o que ele está sentindo, por mais confiança que tenha em ti, por mais aberto que seja. Só quem sente aquilo sabe o que está sentindo – e a redundância aqui é muito necessária.

Não existe atitude certa ou errada para cada situação. Somos únicos. A minha forma de pensar é diferente da tua, que é diferente de outra pessoa, e assim por diante.

Condenar as motivações de um suicida, chamando-o de fraco da cabeça ou qualquer outra coisa, nada mais é que pura maldade. Da mesma forma que enaltecer esse ato, algo como “é preciso ter muita coragem pra fazer isso” também é perigoso: podemos estar, voluntária ou involuntariamente, estimulando mais e mais suicídios; contribuindo para que muitas pessoas não mostrem ao mundo o seu potencial.

Tem uma fórmula mágica para erradicar o suicídio de nossas vidas? Não. Nada na vida é tão simples quanto 2+2. Mas, existe uma pequena atitude que pode fazer uma grande diferença: a compreensão.

Porque é só quando nos colocamos no lugar do outro que podemos, com menos ou mais intensidade, entender o que ele está passando. Pegar pela mão, pelo braço, no colo, e ajudá-lo a sair dessa situação.

A grande questão é: está disposto a sair da zona de conforto?

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A protuberância abdominal maldita

Não existe nada mais inconveniente para um magro do que ter barriga. Sério. É um incômodo tão grande que faz a gente querer só comprar camiseta larga. Assim a gente consegue disfarçar um pouco aquela protuberância.

Por mais “classe média sofre” que seja, vamos fazer um exercício. Libere a sua imaginação com os tópicos abaixo:

 
– pessoa de estatura mediana (cerca de 1,75m)
– abaixo dos 70kg
– tudo com pouca circunferência (pernas e braços que mais parecem caniços)
– adiciona, agora, aquela protuberância abdominal

 
Não adianta disfarçar. Por mais que tu resolva “fortalecer” a barriga, vai ficar feio. Em algum momento, parecerá que está com verme na região.

 
Muitos são os fatores que levam a isso (ter vermes é um deles). Ou a má-alimentação (meu caso) com o sedentarismo (ops, de novo). Daí a gente tem duas opções: se resignar ou fazer algo diferente, tipo, se exercitar e cuidar da alimentação.

 
Por mais sacrifício que possa parecer – de novo “a classe média sofre” – tudo vai aos poucos e a gente se acostuma. Ainda mais se é um desses adeptos aos apps de smartphone (e ajudam quando eles já vêm com alguns instalados, porque poupa minutos preciosos procurando aquele que tu mais curte).

 
Um pouco de narcisismo é bom. Faz até a gente pensar na saúde.

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O nosso Sexto Sentido

Os espíritos costumam ver aquilo que eles querem ver. Não necessariamente a realidade. Foi algo nesse sentido que Cole Sear, protagonista do filme O Sexto Sentido disse ao seu psiquiatra quando resolveu abrir o jogo. Ele via espíritos. Conversava com eles. E estava ali para ajudá-los no caminho para a vida eterna em paz.

Até onde sei, estamos todos vivos – a não ser que vivamos na Matrix e nada disso aqui seja a nossa realidade. Noves fora, não é sobre filmes que esse texto propõe. Mas, sim, a uma reflexão.

Quantas vezes eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas nos deparamos com alguma situação assim: alguém próximo a nós, com uma certa intimidade, te diz algo que tu sequer imaginou que estava acontecendo.

1) Quando vocês conversavam, o teu olhar era quase como o de alguém apaixonado.

2) Ao fazer um carinho (seja um abraço, um afago), era como de alguém a fim de algo mais.

3) O pessoal ao redor notava que tinha algo a mais entre vocês.

4) E outras situações semelhantes – melhores ou piores.

Aí vem aquela reflexão do Cole Sears: será que tu realmente fez isso, ou será que as pessoas imaginaram essas situações?

É algo realmente delicado, e não tem uma resposta certeira. Nem Freud explica. Talvez a semiótica, que tem em sua essência “A semiótica é aquilo que significa algo a alguém”. Trocando em miúdos: a interpretação dos sinais enviados depende do receptor; nem sempre a tua intenção será interpretada como tu projetou, mas, sim, como quem tá recebendo aquela mensagem.

O que isso quer dizer?

Que, talvez, a pessoa – ou as pessoas – que recebeu aquele olhar, aquele abraço/afago, tinha um sentimento tão forte que interpretou qualquer ação tua como demonstração de interesse. Ou imaginou que tu tivesse algum sentimento por ela e também via que queria algo mais do que ela pudesse dar. E, de alguma forma, as conversas com os amigos levavam a esse pensamento (seja com uma pergunta “Só eu to sentindo ele me olhar diferente?”, seja com algo mais direto “Tu viu como ele está me olhando? O que será que ele quer?”).

Mas, não fiquemos só como se a interpretação dos outros levasse a isso. Quantas vezes nós também passamos por uma situação semelhante? Um simples oi virava algo como “Meu Deus, ela me quer!”. Um abraço um pouco demorado (que poderia ser simplesmente devido à saudade) poderia ser um sinal de que algo estava no ar.

Tudo isso tem um porquê: carência; necessidade; insegurança; e por aí vai.

Não que isso seja algo realmente ruim. Não o é. É apenas um sinal de que devemos aprender a nos entender; entrar naquele calabouço que alguns de nós trancamos os nossos sentimentos e começar a verificar porque tudo isso está acontecendo.

Pode ser que estejamos interpretando errado. Pode ser que não.

Isso, só o tempo vai dizer.

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Minhas aventuras em São Paulo – Álcool, meu grande amigo!

Quem realmente me conhece sabe: apesar de não transparecer algumas vezes, sou tímido pra caralho. Com isso, deixo de conhecer gente nova, fazendo amizades e ampliando meus conhecimentos culturais. Foi assim em outras viagens minhas, quando eu não bebia – e até hoje não costumo beber -, e posso dizer que deixei de aproveitar muito mais.

Como dizem, a experiência nos faz mudar algumas coisas. No caso da minha timidez, não foi a experiência. Foi o álcool mesmo. E a comprovação disso tudo foi o hostel que fiquei em São Paulo.

Gringos estavam hospedados no local. Uma suíça chegara dias antes de mim, uma polonesa um dia depois, assim como um canadense. Via eles conversando entre si e, por mais que eu arranhasse um inglês, não me sentia à vontade para mostrar o quanto eu desconhecia dessa língua que até fiz intercâmbio de um mês no Canadá.

Até que decidi ir para o bar do hostel pegar uma cerveja e, depois de trocar umas palavras com um dos hóspedes brasileiros que estava no mesmo quarto que eu, fui lá conversar com os gringos. E não é que, depois de duas garrafinhas de cerveja e um copo de caipirinha, o meu inglês estava bem afinado?

Ok, ok, algumas vezes me embananava, mas pelo menos a gente se entendia. E isso seria muito difícil sem a ajuda do grande amigo álcool. Não fosse por ele, teria ficado no meu quarto, lendo livro, até viajar para Ribeirão Pires para rever alguns amigos. E não conheceria gente maravilhosa de diversas partes do mundo, além de comprovar mais uma vez: a gente costuma saber das coisas, mas a timidez e a insegurança costumam ajudar no nosso autoboicote.

Como disse minha mãe: “Legal que tu encontraste novas maneiras de estudar inglês”.

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